Segundo apurou o Jogo Hoje, o Athletico Paranaense entrou na defensiva no mercado e travou a nova investida do Shakhtar Donetsk por Bruninho. E, pra ser bem honesto com o torcedor, não foi birra: foi conta feita. O clube recusou a proposta porque os números ficaram abaixo do que entende como necessário para liberar o ativo e manter a proteção de passe que construiu para valorizar o atleta até o timing certo.
Athletico rejeita nova oferta do Shakhtar
A investida mais recente do time ucraniano chegou com uma fórmula que parece boa no papel, mas não empolga quem vive de negociar ativo de revenda com margem. O Shakhtar colocou 7 milhões de euros fixos e mais 3 milhões de euros em bônus por metas, desenhando um pacote que poderia render, no teto, números relevantes. Ainda assim, o Athletico não aceitou e seguiu firme na política de não acelerar por menos do que considera justo.
O ponto é simples: quando você tem uma cláusula contratual que segura o jogador e um projeto interno de crescimento, você não precisa aceitar a primeira cifra que aparece. Por que aceitar agora, se o valor de mercado pode subir com jogos, sequência e vitrine internacional?
Quanto o clube ofereceu e quanto o Furacão quer
Do lado do Shakhtar, a proposta atual é essa: 7 milhões de euros fixos e 3 milhões de euros em bônus por metas. Do lado do Athletico, a pedida gira em torno de 15 milhões de euros para liberar Bruninho.
Essa diferença não é detalhe. É negociação de poder. Se o Athletico mantém a demanda na casa dos 15 milhões, ele sinaliza que não está vendendo só o que o atacante já mostrou, e sim o que ele pode entregar quando completar maturidade e ganhar exposição. É aí que o mercado costuma pagar mais caro: no potencial acompanhado de contrato longo.
Por que Bruninho vale mais na visão interna
Dentro do Athletico, a lógica financeira é clara: Bruninho tem idade para valorização e contrato para dar sustentação. O clube enxerga espaço para crescimento técnico e também para aumentar a própria capacidade de barganha em uma janela de transferências futura, especialmente com o relógio do exterior correndo mais rápido quando ele chega aos 18 anos.
Some isso ao fato de que o Athletico promoveu reajuste salarial para valorizar o atleta e proteger o passe, além de trabalhar com uma multa rescisória para clubes brasileiros fixada em R$ 60 milhões. Na prática, é um “freio” para ofertas que não batem na expectativa. E, em negociações internacionais, esse tipo de proteção costuma destravar preço, porque o comprador sabe que o clube não vai abrir mão fácil.
Contrato longo, multa e janela de agosto
Bruninho tem vínculo com o Athletico até março de 2028. Esse detalhe muda tudo no jogo: tempo é dinheiro. Quanto mais tempo de contrato, maior a chance de o clube transformar o jogador em ativo de revenda mais caro.
Além disso, há a janela do “timing” internacional: a transferência para o exterior fica possível a partir de agosto, quando ele completa 18 anos. O Athletico sabe disso. O Shakhtar também. Aí nasce o impasse: o europeu quer avançar agora; o brasileiro prefere esperar a janela e a maturidade do caso, sem entregar o ativo com desconto.
Desempenho em campo e peso na seleção sub-20
No profissional, Bruninho já soma 15 jogos, 4 gols e 1 assistência, um número que respira crescimento e entrega mesmo em contexto de primeira temporada. É o tipo de estatística que alimenta o valor de mercado, porque mostra tendência, não só lampejo.
Na seleção brasileira sub-20, o peso da vitrine também foi real. Nos amistosos contra o Paraguai, ele marcou 2 gols e deu 1 assistência no primeiro confronto e, no segundo, sofreu um pênalti decisivo. Isso conta como munição comercial: quando o jogador performa com regularidade em torneios e jogos de observação, o comprador paga mais por risco menor.
E aqui entra um recado de especialista financeiro: negociação internacional não é só sobre talento. É sobre previsibilidade de retorno. Bruninho, do jeito que vem, reduz incerteza.
O episódio fora de campo e seu impacto na negociação
O Athletico também está olhando para o comportamento e para o ambiente. No mês passado, Bruninho se envolveu em episódio que gerou repercussão: foi abordado pela polícia após ser flagrado dirigindo sem habilitação e em alta velocidade em Curitiba. Como consequência, acabou retirado da lista de relacionados para um clássico importante contra o Coritiba.
Esse tipo de ocorrência pesa, sim, na postura interna: não é moralismo barato, é risco de gestão. Clube que tem interesse em proteger passe e manter a disciplina do elenco tende a endurecer a cláusula contratual quando percebe que o cenário precisa de controle fino. O recado é: o contrato segura, mas o comportamento também precisa acompanhar.
O Veredito Jogo Hoje
O Athletico não recusou por teimosia: recusou porque quer vender caro, no timing certo e com proteção de passe de quem sabe que valor de mercado não se compra com pressa. O Shakhtar ofereceu um pacote que pode até crescer com bônus por metas, mas ficou aquém do que o Furacão considera o preço do ativo, amarrado em contrato até 2028 e com a janela internacional batendo na porta em agosto. Se o europeu quer mesmo Bruninho, vai ter que subir a conta e aceitar que negocia com clube que trabalha com multa rescisória, cláusula contratual e lógica de ativo de revenda. O resto é barulho.
Perguntas Frequentes
Quanto o Shakhtar ofereceu por Bruninho?
O Shakhtar apresentou 7 milhões de euros fixos e mais 3 milhões de euros em bônus por metas.
Até quando Bruninho tem contrato com o Athletico?
Bruninho tem vínculo com o Athletico até março de 2028.
Quando Bruninho pode ser vendido para o exterior?
A transferência para o exterior fica possível a partir de agosto, quando ele completa 18 anos.